Os mais velhos certamente irão lembrar do seriado Anjos da lei (21 Jump Street, produzido de 1987 a 1991). Exibido na rede Globo, o seriado contava com a participação de um jovem Johnny Depp, entre outros atores integrantes desse grupo especial de policiais que se faziam passar por adolescentes e se infiltravam entre eles. Eram os Anjos da Lei. Mas não é sobre a série que eu quero falar. Na verdade ela serviu de inspiração para uma aventura vivida por mim e um outro camarada, o Rafael. Rafa para os íntimos.
Foi mais ou menos nessa época do início da série, em um verão, numa famosa praia do litoral gaúcho que eu e o Rafa aproveitamos para nos passar por Anjos da Lei. Naquelas férias meu camarada apareceu com uma carteira daquelas com um distintivo de autoridade. "Polícia do Senado". E o negócio parecia "quente" mesmo. Mas era só de brincadeira, entende. Coisa para se exibir pros amigos.
Mas numa noite, fim de noite na verdade, quando já não havia mais nada para se fazer na cidade, os bares fechados e nós dois a fim de tomar mais umas cervejas (parece que nunca é o bastante, não é mesmo?), rodando pelo centro até que nos deparamos com um barzinho quase fechando as portas. Paramos o carro e entramos rapidamente. Havia apenas dois caras; os donos como se identificaram. Nos atenderam prontamente. Uma cervejinha aqui, outra ali, e o papo começou. Meu amigo tem um sotaque diferente, do norte - fazia algum tempo que ele já tinha ido embora do sul - e isso chamou atenção dos donos do bar. Aí não deu outra, parece que acendeu no camarada uma luz de imaginação... ele puxou a carteira do bolso e inventou a história. Nos somos de Brasília. "Polícia do Senado". Aí os caras se impressionaram e comentaram sobre a nossa idade. Meu amigo não teve dúvida. Anjos da Lei neles! Grupo especial de policiais jovens!!! Começou a rolar um papo sobre armas e tal... bom aí tivemos que usar nossos conhecimentos de filme americano sobre os armamentos mais bacanas. Mas aí o negócio foi ficando tarde e os caras querendo fechar o bar. Perguntamos se não sabima de um lugar legal para nos indicar já que estávamos querendo farra mesmo. Amigos, pode parecer bobagem mais entramos na história de Anjos da Lei com tanta convicção que os caras ou acreditaram ou ficaram com um certo orgulho de nossa cara-de-pau. Fato é que não nos cobraram a cerveja e ainda nos conduziram até um local "de respeito" que conheciam.
Nós fomos seguindo os dois de carro pela cidade até que pegamos a estrada já saindo dali. Começamos a ficar preocupados e pensamos que a "coisa" toda ia acabar mal. Até que pegamos uma saída lateral, deixamos a a estrada para trás e logo em seguida uma casas e a tal "luz vermelha". Começamos a dar risada. Acabamos num cabaré (para não dizer coisa pior!) de beira de estrada. Fazer o quê, estacionamos e fomos dar uma conferida no local. Nossa, era de dar pena! Até as "profissionais", tadinhas não inspiravam nada a não ser pena. Mas aí que a coisa ficou mais divertida.
Havia um pequeno palco, num canto da "boate". Um bateria solitária abandonada. Bem, aí deu aquela vontade de tocar e não tive dúvida, perguntei para uma das moças ela disse para falar com os "músicos". Apontou para um lado naquela escuridão e vi aqueles sujeitos mal-encarados tomando umas cervejas. Não sei se motivado pela incrível vontade de tocar aquela bateria... ou pela embriaguez, fui falar com os caras. "Claro, sem problema... Sobe lá" disseram eles. Sujeitos legais. Mas, quando sentei no banquinho, empunhei as baquetas, os caras já tavam se arrumando pra tocar juntos. Pegaram seus instrumentos, aquela preparação toda aí fiquei surpreso! Na verdade só tava querendo fazer um barulho e não tocar com os caras, mas aí já era tarde.
Para provar meu estado já bastante alterado: então eu disse pros caras que se íamos tocar eu precisava inverter a bateria - eu sou canhoto e já estava acostumado com essa função ao tocae em baterias alheias. Os caras ficaram parados me olhando enquanto eu mudava tudo de lugar. Caixa e chipô prum lado; surdo e condução por outro. Tudo certo. Sentei no banquinho e me dei conta de uma coisa. Havia mudado a bateria para destro! O baterista também era canhoto! Eta cerveja, danada!!!
Levantei novamente e desvirei tudo. Os "músicos" esperando pacientemente e eu dando risada! Agora estava certo e os primeiros acordes começaram. Não acreditei no que ouvi, até tive que pesquisar no Google pra saber de quem era a música, agora que conto essa história. Era Feiticeira, composta por Otávio Osvaldo Garcia e e interpretada por Carlos Alexandre. Mas tudo era diversão. Fiz a minha parte na bateria e meu camarada subiu ao palco para cantar a música. Inacreditável. Nossos dois amigos do bar ficaram impressionados como nossa habilidade musical. "Além de polícia os caras também tocam" diziam eles. Ali na "boate" ainda nos pagaram mais umas cervejas e depois nos despedimos.
Essa história está em nossa lembrança até hoje. Bons tempos de Anjos da Lei!
Deixo aqui um vídeo da abertura do seriado para matar a saudade.
Agradeço a drvaldir06 pelo vídeo postado no YouTube (http://br.youtube.com/watch?v=b5SQB3HTzrQ)
Era isso pessoal!
Abraços e Aproveitem o Dia!
Leonardo

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